A DISTORÇÃO DA REALIDADE PARA MAIS OU PARA MENOS

 A DISTORÇÃO DA REALIDADE PARA MAIS OU PARA MENOS
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Você já chegou a procurar o seu próprio endereço nos mapas do Google? 

Se você não procurou, pode ter certeza que alguém já procurou por você – pelo menos durante a febre do Google Earth após o seu lançamento em 2005. Foi quando descobrimos a possibilidade de viajar pelo mundo usando a tela do computador, e desvendamos as ruas mais secretas de outros países.

Apesar de incrível e inimaginável alguns anos antes, muitas pessoas se depararam com o seguinte cenário: as imagens tinham intromissões. Afinal, seria impossível arrumar todas as ruas do mundo antes de que o carro do Google passasse.

Nesse sentido, as imagens de Street View são bastante fiéis à realidade: as pessoas andam pelas ruas; os animais demarcam o seu território; e o lixo permanece na calçada. Tivemos até um caso de uma queda registrada pelo Google Street View. E tudo isso acontece até hoje, independentemente da plataforma.

Mas nem todos entram na Internet para se deparar com a realidade

Em muitos casos, a Internet é utilizada como um espaço de fuga cotidiana. Seja através de memes, de jogos online ou como forma de se procrastinar uma tarefa. O importante é que não faltam formas de alterar a nossa realidade de alguma forma, por algum período.

Nesse contexto, os cenários virtuais foram criados visando alterar as narrativas que vivemos, agregando sentidos e significados, e permitindo adaptarmos a nossa realidade aos nossos gostos. Inclusive, tem tudo a ver com a tendência de personalização mencionada anteriormente.

Um ótimo exemplo de Realidade Aumentada foi o jogo Pokémon Go, lançado em 2016, no qual é possível utilizar a câmera do seu celular e visualizar um Pokémon no mesmo ambiente. Mas está longe de ser o único: existem aplicações também em museus, nas quais é possível visualizar, rotacionar e redimensionar obras de arte; e também traduções feitas pela câmera em tempo real, especialmente úteis para a leitura de placas em outras línguas.

A alteração da realidade para mais ou para menos

A existência de uma realidade aumentada implica na existência de uma realidade diminuída. Pelo menos essa é a ideia por trás das tecnologias capazes de remover objetos, pessoas e outras intromissões de arquivos de mídia.

Por exemplo: Em 2010, foi criada uma ferramenta capaz de remover objetos no cenário de transmissões ao vivo pela Ilmenau University of Technology. E não podemos deixar de lado as alterações estáticas também, considerando que o Photoshop é utilizado há anos para a remoção de imperfeições ou intromissões em imagens.

O próprio Google se comprometeu a borrar rostos e placas de carros em sua plataforma Google Street View, garantindo mais segurança aos usuários que foram surpreendidos pelas fotos. Teve até um incidente em 2016 em que uma vaca teve o seu rosto borrado. Até mesmo aquela queda foi borrada – mas nunca esquecida pelos internautas.

A vida imita a arte ou a arte imita a vida?

Como grande parte das tecnologias que temos hoje, a alteração da realidade já foi abordada em um filme distópico do século passado.

No filme “Eles Vivem”, de 1988, existe um óculos capaz de mostrar o mundo real por trás das alterações feitas pelos alienígenas, apesar deles o terem alterado com belas paisagens e mensagens publicitárias.

O filme também levanta a seguinte questão: Será que a longo prazo as pessoas não sentiriam falta das intromissões na realidade? Em um primeiro momento podemos desejar um mundo com cenários perfeitos, mas talvez não gostaríamos de existir em um de fato. Tornaria a vida menos imprevisível e menos humana.


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