A EVOLUÇÃO DO CÉREBRO ATRAVÉS DA TECNOLOGIA

 A EVOLUÇÃO DO CÉREBRO ATRAVÉS DA TECNOLOGIA
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Sem dúvida, uma das principais habilidades humanas é nossa habilidade de esquecimento.

Isso parece contra-intuitivo, mas veja bem: o nosso cérebro é limitado, o número de neurônios que temos está constantemente diminuindo e estamos o tempo todo aprendendo a compensar a sua falta. Se não pudéssemos esquecer de algo para aprender algo, estaríamos apenas perdendo informação, certo?

Pelo menos, esse é o caso das máquinas que criamos, por enquanto. Elas são incapazes de esquecer, e vão adicionando os seus conhecimentos em cima dos que já foram absorvidos. Se, por exemplo, acontece um erro e ela perde a sua memória, ela a perde por completo. Na maioria das vezes, nós não – mas é melhor não desafiar a amnésia.

Uma das coisas que é dificilmente esquecida por nós é o que Rodrigo Quiroga, graduado em física, PhD em matemática aplicada e diretor do Centro de Neurociência da Universidade de Leicester, chamou de neurônio Jennifer Aniston. Aparentemente, temos um neurônio que reage especificamente à imagem da atriz americana, e é verídico.

Imagina só o que a gente ainda não descobriu sobre o cérebro?

A evolução da Inteligência Artificial

A evolução da Inteligência Artificial com certeza é mais palpável do que a nossa própria. Afinal, o seu crescimento histórico mais relevante ocorreu na última década, e estamos acompanhando em tempo real as novas descobertas e aplicações da tecnologia.

Ela é, inclusive, uma das tecnologias exponenciais que já falamos por aqui, o que torna a sua evolução muito mais rápida do que a das outras tecnologias. O seu futuro é imprevisível, mas sabemos que dez anos atrás as descobertas que tivemos seriam impensáveis. Então, podemos apostar nesse mesmo futuro.

Uma das apostas que podemos fazer é sobre a computação afetiva, na qual as máquinas seriam capazes de sentir e adentrar o nosso universo de signos e significados – algo que ninguém sabe como fazer (ainda).

A ideia de máquinas que compreendem sentimentos, metáforas, analogias e inferências é interessante, mas esbarra em um ponto importante: o que chamamos de Inteligência Geral. Já falamos por aqui das várias formas de inteligência, se você quiser se aprofundar no assunto.

No caso da Inteligência Geral, ela é a responsável pela nossa habilidade de transferir conhecimento de uma situação para outra, e seria a chave para máquinas mais compreensivas nesse sentido. Se o nosso cérebro está evoluindo, ela é uma das grandes responsáveis.

A evolução do cérebro humano – através da tecnologia

Se, por um lado, desenvolvemos a tecnologia para solucionar os nossos desafios e facilitar a nossa vida, por outro, estamos nos desafiando menos. Certo?

Por um lado, sim. Mas também desenvolvemos habilidades com a tecnologia, e a tendência é de que, cada vez mais, continuaremos aprendendo com ela.

Por exemplo: para contas, utilizamos calculadoras; para locomoção, utilizamos o GPS; para lembrarmos de tarefas, utilizamos assistentes virtuais. Porém, também temos um acesso à informação muito maior; aprendemos a utilizar diferentes dispositivos, e a tendência é de um aumento significativo para os próximos anos; e aprendemos diariamente a fazer as máquinas colaborarem conosco, o que não vem sem esforço.

De certa forma, estamos apenas substituindo um conhecimento por outro – o que é exatamente o que falamos no começo deste artigo. É uma das nossas principais habilidades.

Estamos nos desafiando de formas diferentes, e caminhamos para um futuro em que poderemos evoluir com as máquinas, o que é uma possibilidade fascinante.

Nós frequentemente tratamos o esquecimento como algo negativo, mas deixamos de pensar que estamos também nos dedicando a coisas novas, e focando no que é essencial naquele momento. Grande parte dos nossos erros de digitação são causados dessa mesma forma, também.

Um dos maiores investimentos em nossas vidas deve ser o aprendizado contínuo, que não vem sem esquecimento.

Então, pensando assim, você está disposto a esquecer para saber mais?


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