A EXPANSÃO DO HUMANO ATRAVÉS DE ROUPAS INTELIGENTES

 A EXPANSÃO DO HUMANO ATRAVÉS DE ROUPAS INTELIGENTES
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Em setembro de 1956, a IBM estava lançando o seu primeiro computador, o 305 RAMAC, cujo disco rígido era capaz de armazenar 5MB de dados.

Hoje, quase 65 anos depois, estamos falando sobre a possibilidade de computadores serem desenvolvidos em fibras digitais. 

Em outras palavras, estamos falando de roupas inteligentes, possibilitadas pela pesquisa de Gabriel Loke, doutorando do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e Tural Khudiyev, com pós-doutorado no MIT, entre outros pesquisadores do instituto.

De acordo com Yoel Fink, professor dos departamentos de Ciência de Materiais, Engenharia Elétrica e Ciência da Computação do MIT e autor sênior do estudo:

“Este trabalho apresenta a primeira realização de um tecido com a capacidade de armazenar e processar dados digitalmente, adicionando uma nova dimensão de conteúdo de informação aos têxteis e permitindo que os tecidos sejam literalmente programados”.

Mas o que uma roupa inteligente é capaz de fazer?

COLETA, ARMAZENAMENTO E ANÁLISE DE DADOS

A fibra desenvolvida pelos pesquisadores do MIT foi alavancada com memória, sensores e um programa de rede neural treinado, tornando-a digital e capaz de coletar, armazenar e analisar esses dados.

Nesse sentido, a visão de Fink elucida o potencial da pesquisa, na qual “fibras digitais expandem as possibilidades dos tecidos para descobrir o contexto de padrões ocultos no corpo humano que podem ser usados ​​para monitoramento de desempenho físico, inferência médica e detecção precoce de doenças”.

Pensando em sua aplicação na medicina, as roupas inteligentes podem ser menos invasivas do que um dispositivo implantável, e ainda podem oferecer insights valiosos sobre a saúde do paciente, especialmente quando falamos da detecção de alterações sutis.

O tecido também teria aplicações no esporte, ajudando atletas a encontrarem pontos de melhoria em sua própria performance.

E melhor: a fibra foi feita para ser fina, flexível e indetectável ao toque humano. Ela pode até mesmo passar por uma agulha, ser costurada em outros tecidos ou lavada pelo menos dez vezes sem se desfazer, tornando-o uma excelente adição ao nosso cotidiano, o que é uma grande preocupacão dos pesquisadores de IoT e wearables.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Através de sua rede neural com cerca de 1,650 conexões, esse tecido digital é um grande candidato à aplicação de inteligência artificial em nosso corpo – ou sobre ele.

Pensando em suas capacidades de análise de dados, a fibra foi capaz de presumir a atividade sendo realizada pelo usuário com 96% de precisão durante a pesquisa. Um feito impressionante para um tecido digital.

E, com um componente de inteligência artificial, podemos pensar na criação de um banco de dados exclusivo sobre o funcionamento do corpo humano, capaz de ajudar infinitas outras pesquisas com seus insights. Contribuindo, particularmente, nas pesquisas sobre padrões do corpo humano de formas que não eram possíveis anteriormente.

COMPUTADOR DE FIBRA

Então, o que falta para esse tecido ser considerado um computador de fibra?

De acordo com Loke, um dos principais autores da pesquisa, o tecido ainda exige um pequeno dispositivo externo para ser controlado. Quando um chip puder ser conectado ao tecido e controlá-lo de forma integrada, finalmente poderemos falar de um computador de fibra.

Então, nos próximos anos, a expansão do nosso conhecimento sobre o corpo humano e sobre as suas capacidades pode ser revolucionada por algo tão delicado quanto fibras de tecido. Podemos até mesmo pensarmos sobre vestir computadores, de forma natural.

O que mais está por vir?


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