A PERDA DE MEMÓRIA TALVEZ SEJA UM PROBLEMA DO PASSADO

 A PERDA DE MEMÓRIA TALVEZ SEJA UM PROBLEMA DO PASSADO
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Você se considera uma pessoa esquecida? 

A quantidade de informações que produzimos diariamente vem aumentando, e, consequentemente, a quantidade de informações que processamos também. 

Vídeos de até um minuto são os nossos preferidos, e sentimos dificuldade em dedicar mais de alguns minutos de atenção seguidos a alguma tarefa. Por exemplo, 60% das pessoas abandonam sua linha de pensamento mesmo em tarefas que exigem sua concentração máxima. Imagina as que não exigem?

Temos também outro dado interessante: Dois em cada cinco brasileiros (40%) acima dos 50 anos sofrem com a falta de memória em uma frequência semanal. E, dos 1.168 entrevistados, 33% têm esquecimentos que oferecem algum risco à sua saúde. Ou seja, desde esquecer o fogão ligado até esquecer de tomar um remédio vital (Fonte: Extra).

Podemos falar, então, de uma crise de memória.

A cobrança por produtividade pode ser considerada um dos motivos, mas não o único.

Para o neurologista Fábio Fieni, “o cérebro humano é bem preparado para prestar atenção em uma tarefa de cada vez”, mas o nosso cotidiano exige o oposto. Então, nos encontramos equilibrando diversas tarefas juntas, sem dedicar real atenção a alguma delas.

Também, a idade pode ser um fator de esquecimento.

Nós mudamos, e o nosso cérebro também.

Na infância, o cérebro registra o seu pico de atividade, realizando mais conexões do que em qualquer outro estágio de desenvolvimento (Fonte: Crescer). E, a partir dos 55 anos, também registramos uma perda de funções cognitivas. Por exemplo: o hipocampo, responsável pela nossa memória, diminui aproximadamente 1 a 2% de seu volume anualmente (Fonte: Danone Nutricia).

Ou seja, seria mais difícil construir e resgatar memórias a partir de certa idade.

Ou será que não?

Existem duas iniciativas que potencialmente podem recuperar – ou impulsionar – a nossa memória: A tecnologia de mesh electronics, iniciativa do Laboratório Charles Lieber da Universidade de Harvard, que envolve uma rede de eletrodos injetáveis que simulam o comportamento de tecidos biológicos; e a iniciativa da Neuralink, empresa que tem Elon Musk como sócio, na qual eletrodos são inseridos no crânio através de pequenos orifícios, e, então, formam uma rede de fios flexíveis sobre o cérebro.

Não falamos de regeneração do tecido, que só seria possível ser feita de forma orgânica, e sim de um suporte a um sistema que já existe. Um suporte tecnológico.

Outra possibilidade, ainda indisponível, seria o crescimento de um pequeno cérebro de laboratório a partir de células do próprio paciente. Elas poderiam, potencialmente, ser editadas para terem maior chance de sucesso na luta contra as células danificadas.

Próximos passos

Até o momento, as interfaces entre cérebro e computador ainda não são capazes de mediar uma interação entre o cérebro e outros dispositivos. Elas conseguem conectar os neurônios ao mundo exterior, ou transmitir informações externas ao cérebro. Mas não os dois.

Portanto, seu próximo passo seriam tecnologias capazes de permitir uma interação bidirecional. E a revitalização de cérebros danificados poderia ser fruto dessa interação, contando com computadores ou máquinas de inteligência artificial.

A visão de Elon Musk, a médio prazo, é de ajudar pacientes com paralisias ou com mobilidades reduzidas com essas tecnologias. Mas isso não é tudo. A longo prazo, Musk não esconde que seu principal objetivo é potencializar o nosso funcionamento através da tecnologia.

Potencialmente, o futuro da neurotecnologia para a medicina poderá ser pautado em tratamentos personalizados para cada pessoa. Como, por exemplo, modificando sistemas imunológicos, gerenciando doenças autoimunes e garantindo que dificuldades como perda de memória, problemas auditivos e insônia sejam coisa do passado.

E você, como imagina a medicina de 2050?


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