COMO O BRASIL PODE SE TORNAR UMA POTÊNCIA EM NEUROTECNOLOGIA

 COMO O BRASIL PODE SE TORNAR UMA POTÊNCIA EM NEUROTECNOLOGIA
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A corrida espacial do século passado tem muito a nos ensinar sobre estratégia e inovação.

Pouco mais de 60 anos atrás, em 12 de abril de 1961, a Rússia saiu na frente da corrida espacial com Iuri Gagarin, na espaçonave Vostok 1. Esse dia ficou marcado na história como o começo da nossa exploração espacial, tornando Iuri o primeiro ser humano a viajar pelo espaço.

Entretanto, é em Neil Armstrong que pensamos quando o assunto é exploração espacial, tendo sido o primeiro ser humano a pisar na Lua em 21 de julho de 1969. Neil não foi o primeiro ser humano a viajar pelo espaço, mas foi o símbolo de uma causa maior, imortalizada pelas palavras do presidente estadunidense John Kennedy: “nós escolhemos ir para a Lua”.

Curiosamente, a busca pelo nome de Iuri no Google retorna apenas 1.420.000 resultados, enquanto a busca por Neil Armstrong gera 74.900.000 resultados. Então, podemos pensar que ser o pioneiro em algo não é um atestado de sucesso. Talvez o desenvolvimento da ciência e da tecnologia através de um símbolo seja mais comovente.

Então, não se trata do que conquistamos. Trata-se do que superamos para conquistá-lo. Trata-se de um leap of faith, ou salto de fé.

PRECISAMOS DE UM GRANDE SALTO

Grandes desafios são grandes impulsionadores do desenvolvimento da ciência e da tecnologia em uma nação.

Pelo menos, é o que podemos extrair dos resultados da corrida espacial e da popularização de dinâmicas pautadas em desafios nos últimos anos, como Hackathons, métodos de Sprint ou Design Thinking. Aqui, a colaboração faz a força.

Mas ainda enfrentamos um desafio: os últimos 200 anos de desenvolvimento tecnológico e científico brasileiro foram caracterizados não por grandes saltos, mas por pulos. Ou seja, avanços tímidos e pontuais que carecem de uma grande estratégia nacional, de acordo com o sociólogo, professor e diretor do Ateliê de Humanidades, André Magnelli.

NÃO FALTA INVESTIMENTO, FALTA ESTRATÉGIA

Quando o assunto é investimento em inovação, o Brasil figura em nono no ranking mundial do Fórum Econômico Mundial, levando em consideração o volume total de capital investido. O que, em outras palavras, nos posiciona entre os dez países que mais investem em inovação no mundo.

O real desafio dos anos 2000 é a busca pelo salto tecnológico, após os últimos 200 anos de pulos tímidos. E, para Magnelli, “Toda infraestrutura tecno-científica do Brasil está construída, mas é necessário desenvolver e ampliar”.
O salto tecnológico, ainda segundo Magnelli, “agora depende de construir um ecossistema de inovação inclusivo e democrático, que abandone o imediatismo de pensar que o país tem como única vocação a exportação agrária”.

Mais do que exportador de commodities, podemos pensar no Brasil como um exportador de inovação. Um dos maiores do mundo, e em apenas alguns anos.

Para Domingos Monteiro, presidente da Neurotech, o cenário nunca foi tão favorável para uma nova mentalidade por parte das empresas. Através de uma ampla disponibilidade de tecnologias de ponta, enorme quantidade de dados de negócios disponíveis e maior busca por personalização e velocidade por parte dos consumidores, estamos prontos para o próximo passo.

Retomando a ideia de um grande salto através de um propósito, Monteiro reforça o seu posicionamento quando diz que “Temos uma dívida histórica em inovação, mas nunca tivemos tantos habilitadores para fazer a conexão com um propósito relevante e fazer esses saltos”.

ATENDENDO AOS NOSSOS DESAFIOS

Para Silvio Meira, cientista, professor, empreendedor brasileiro e também um dos fundadores do Porto Digital em Recife, superar os desafios que impedem o desenvolvimento tecnológico e científico do Brasil passa por um esforço amplo, que deve incluir a criação de uma cultura de inovação genuína, que atenda aos nossos desafios.

Nesse sentido, o conhecimento e a colaboração precisam acontecer de forma integrada, desde o planejamento até as ações, visando o desenvolvimento da nação além do desenvolvimento científico e tecnológico. Esse é o nosso propósito.

Finalmente, segundo Diego Puerta, Presidente da Dell Brasil, “Eu tenho certeza que o potencial existe. Todas as vezes que nós conseguimos dar condições para que as pessoas desenvolvam o seu talento, o Brasil é destacado. A gente consegue produzir, a gente consegue gerar resultado. Só que nós temos que facilitar o acesso de mais pessoas nesse processo e de mais empresas no ambiente de inovação”.

Temos tudo o que é preciso para ganharmos a nossa própria corrida espacial.

Juntos podemos dar um grande salto.


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