E SE MEMBROS BIÔNICOS TIVESSEM SENSIBILIDADE?

A sensibilidade da pele é tão familiar para nós que mal conseguimos imaginar uma realidade sem ela.
Nós sentimos o toque em tudo o que fazemos: quando digitamos, quando arrumamos o cabelo, quando lavamos o rosto, quando andamos, e todas as pequenas tarefas que realizamos no cotidiano.
Mas o que acontece quando perdemos um membro, e, com ele, a sensibilidade?
RECUPERAÇÃO DA MOBILIDADE
Apenas no Brasil, mais de 470 mil pessoas tiveram membros amputados, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Diante de um mundo projetado para pessoas com todos os quatro membros, algumas tarefas que antes poderiam ser simples tornam-se muito mais difíceis, como o controle de carrinhos de compras ou o ato de descascar uma banana.
Para essas pessoas, os membros biônicos representam mais do que a recuperação de sua mobilidade – representam a sua independência. E as possibilidades biônicas estão cada vez maiores.
Ainda existe muito espaço para melhora, se nos basearmos no relato de Britt H. Young para a revista Input, mas estamos diante de uma das maiores evoluções dessa área de estudo.
A SENSIBILIDADE BIÔNICA
Até o momento, os membros biônicos são especialmente úteis em tarefas que exigem esforços simples, como segurar algo. Existem membros mais avançados com diversos movimentos pré-definidos, mas a busca pelo movimento correto pode adicionar complexidade à sua utilização.
Então, uma das saídas encontradas pelos pesquisadores da universidade de Pittsburgh foi a melhora dessa experiência através de uma interface entre cérebro e computador (BCI), permitindo que o usuário pudesse controlar o membro biônico com o seu cérebro e abrindo as portas para uma nova modalidade de inovação: a sensibilidade biônica.
Com essa nova possibilidade, o usuário não precisa, necessariamente, observar o movimento para realizá-lo. Os sinais elétricos que são enviados ao seu cérebro são processados como a sensação de toque, impactando a execução de suas tarefas.
Neste estudo, uma tarefa que teria levado 7,9 segundos levou apenas 3,4 segundos, permitindo um movimento muito mais fluido.
Dessa forma, a sensação de toque pode melhorar significativamente a forma como membros biônicos funcionam atualmente.
Essa tecnologia ainda está restrita aos laboratórios, mas pode pavimentar o caminho para grandes avanços nos próximos anos – especialmente com a popularização das BCIs sem fio.