ESTUDANTES COMO ESPECTADORES: LUTANDO CONTRA A DESATENÇÃO EM CENÁRIOS REMOTOS

 ESTUDANTES COMO ESPECTADORES: LUTANDO CONTRA A DESATENÇÃO EM CENÁRIOS REMOTOS
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Não é preciso dizer que a internet revolucionou a forma como realizamos tarefas, pesquisamos e nos relacionamos. Ferramentas como o Google e as redes sociais trouxeram praticidade e agilidade – o que também implica em uma imensidão de conteúdos disponíveis.

A cada segundo, em média, 3.003.905 e-mails são enviados; 90.182 buscas são realizadas pelo Google; 88.528 vídeos são visualizados pelo Youtube; 9.376 publicações são feitas no Twitter; e 1.056 fotos são publicadas pelo Instagram. Somando o conteúdo consumido pelo mundo todo, utilizamos 112.680 GB de internet a cada segundo, tudo de acordo com o site Internet Live Stats.

Os números são chocantes, mas nos levam a um resultado mais familiar: mais de 60% dos 2.500 entrevistados pela Webtrate disseram que abandonavam sua linha de pensamentos para responder um email ou comentar nas redes sociais enquanto trabalhavam ou escreviam textos que exigiam concentração máxima.

MUITOS AMBIENTES, POUCA ATENÇÃO

É difícil de compreendermos a quantidade de interações que são realizadas por segundo, mas, quando falamos de distrações e interrupções, estamos mais familiarizados.

Estamos cada vez mais buscando gratificação rápida e dividindo a nossa atenção entre diversas plataformas. Mas isso não acontece por acaso.

A neurociência dos últimos anos demonstra que sentimos dor física ao sermos excluídos de um certo ambiente ou círculo social. E para estarmos presentes em todos os ambientes digitais, não conseguimos depositar grandes quantidades de atenção em nenhum deles.

UM CLIQUE AQUI, OUTRO ALI…

Sentimos sede constante por novos estímulos, e ela é facilmente saciada com uma simples troca de aba em nosso navegador ou um rápido acesso a uma rede social.

Essa realidade se tornou especialmente clara quando enfrentamos a adaptação de ambientes presenciais, como trabalhos, escolas e faculdades, para o ambiente digital em poucos dias. A nossa dificuldade em nos concentrarmos em algo por mais de alguns minutos se tornou parte do cotidiano remoto, e tarefas que antes eram familiares se tornaram muito mais difíceis e demoradas.

Entretanto, nem tudo está perdido. Se o consumo de conteúdos de forma passiva leva à distração, o incentivo à atividade pode recuperar a atenção dos alunos.

Atividades dinâmicas como enquetes, perguntas sobre o conteúdo ou debates abertos são ferramentas poderosas contra a dispersão. Também, a variedade de conteúdos é essencial. O equilíbrio entre materiais com diferentes dificuldades, formatos e durações podem motivar os alunos através de seu senso de gratificação.

PAUSAS TAMBÉM SÃO IMPORTANTES PARA ALTOS NÍVEIS DE PRODUTIVIDADE

A Técnica Pomodoro desenvolvida nos anos 80 ainda pode ser muito útil aos estudantes. Para cada 25 minutos de trabalho ininterrupto, os 5 minutos seguintes devem ser de pausa. E, a cada quatro ciclos, a pausa pode ser de 15 ou 20 minutos. Assim, dividindo o nosso fluxo de trabalho em blocos, conseguimos conquistar mais foco (e ativar o nosso sistema de gratificação com mais frequência).

As pausas podem ser pensadas tanto por quem produz o conteúdo como por quem o consome, desde que não sejam longas demais.

Por fim, outra solução fascinante é produzida pela BrainCo, direto da China. Tiaras aplicadas nas escolas são capazes de ler as ondas cerebrais dos alunos e indicar aos professores seu nível de concentração. Com o aumento das pesquisas ao redor de neurotecnologias e mais investimento, é possível pensarmos em um futuro em que as tiaras sejam utilizadas em benefício dos alunos de todo o mundo.

A transformação dos estudantes a espectadores não será a única grande transformação digital, que agora dispõe de infinitos recursos tecnológicos para reter a atenção dos alunos. Agora as instituições de ensino estão cientes da importância da resiliência e devem continuar buscando seu espaço em cenários digitais.

O futuro nos aguarda com novas soluções, dispositivos e ferramentas para ensinos mais inteligentes e acessíveis, mas ainda luta pelas janelas de atenção dos alunos. Neste embate, ganha quem tiver a proposta mais interessante de conteúdo.

Referência: https://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/01/economia/1412178663_011451.html


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