FATO OU FAKE #1: AS MÁQUINAS PODERÃO ENTRAR NA NOSSA MENTE?

 FATO OU FAKE #1: AS MÁQUINAS PODERÃO ENTRAR NA NOSSA MENTE?
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Fake! Quando falamos de aproximar tecnologias ao nosso cérebro, que é o cerne da Neurotecnologia, a maior preocupação das pessoas é com a sua privacidade. Afinal, desfrutamos de pouca privacidade na Era de Big Data, e a nossa mente ainda é o nosso espaço mais restrito.

Entretanto, com a popularização de dispositivos que leem as atividades cerebrais, surge também a popularização dos boatos de que os robôs poderão ler a nossa mente. Não apenas ler, como também manipular os nossos pensamentos e tirar a nossa autonomia. E então, naturalmente, sentimos medo e desconfiança.

AINDA BEM QUE A AGENDA DA NEUROTECNOLOGIA NÃO É HACKEAR O NOSSO CÉREBRO

Estamos falando de tecnologias que interagem com o nosso centro de decisões com diversos intuitos. Elas são capazes de capturar as nossas atividades, visualizá-las e/ou compreendê-las, mas nunca hackeá-las. Servem estritamente para solucionar os mistérios da mente humana.

Como forma de regulamentação, a proposta de Neurodireitos foi um grande passo para o controle do uso dessas tecnologias. Em especial, um dos direitos propostos pelo Morningside Group se destaca nesse assunto abaixo.

O DIREITO AO LIVRE-ARBÍTRIO

As responsabilidades pessoal, moral e civil são tanto um direito quanto um dever. Nós agimos conforme julgamos adequado em uma sociedade e somos responsabilizados pelas nossas ações. Em um mundo em que robôs tomam decisões por nós, não poderíamos consentir. Por isso a Neuroética é tão importante nessa discussão.

Entre os outros direitos propostos, temos também o direito à privacidade mental, que implica no compromisso de utilizar os dados para o propósito que eles foram coletados. Seu uso deve ser responsável e jamais pode ser violado, pois temos o direito de consentir apenas a usos específicos para as nossas informações – o que vale para diversas outras tecnologias atuais.

O GRANDE PODER DOS NEURODADOS VEM COM GRANDE RESPONSABILIDADE

Como forma de tornar esse compromisso mais familiar ao público, Chris Crawford, cofundador da Brain-Drone Racing League, declarou:

“Nosso maior desafio é ajudar as pessoas a entender o que ela [uma headband desenvolvida pela empresa] pode e não pode fazer. Esta headband não está lendo sua mente ou invadindo sua privacidade, não está enviando sinais para seu cérebro e manipulando seus pensamentos. Ele pode fazer muitas coisas legais, mas não pode fazer isso”.

OS DISPOSITIVOS SÃO CONSTRUÍDOS COM PROPÓSITOS ESPECÍFICOS TAMBÉM

Um ponto reconfortante sobre as neurotecnologias é que os dispositivos, especialmente headbands e headsets, não são capazes de fazer de tudo. Eles são construídos com propósitos claros e podem realizar apenas algumas funções.

Ao comprarmos ou utilizarmos um dispositivo que analisa as nossas ondas cerebrais, ele não seria inerentemente capaz de influenciar o nosso pensamento: ele apenas o analisa. E deve existir um compromisso aos fabricantes de dispositivos de especificar exatamente o que o produto é capaz – ou não – de fazer.

Temos muito interesse em compreender melhor a mente humana, mas invadir a privacidade dos indivíduos seria um preço muito caro a se pagar. A ética e a responsabilidade são essenciais nas pesquisas. Cada descoberta deve ser realizada a partir de dados consentidos, de propósitos claros e de compromisso com as informações.

É o que esperamos para as inovações do futuro.


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