MULHER COM PARALISIA VOLTA A “FALAR” GRAÇAS À INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E IMPLANTE CEREBRAL INOVADOR

 MULHER COM PARALISIA VOLTA A “FALAR” GRAÇAS À INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E IMPLANTE CEREBRAL INOVADOR
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Um implante cerebral e um avatar digital permitiram que uma pessoa com AVC voltasse a “falar” usando suas expressões faciais. Ann sofreu um AVC no tronco cerebral aos 30 anos, paralisando-a gravemente. Ela não conseguia controlar nenhum músculo do corpo, inclusive os responsáveis pela fala.

“Do dia para a noite, tudo me foi tirado”, escreveu Ann, através de um dispositivo que lhe permite digitar lentamente na tela do computador com movimentos sutis da cabeça. Hoje, Ann está colaborando com pesquisadores da UC San Francisco e UC Berkeley no desenvolvimento de uma tecnologia inovadora de interface cérebro-computador que poderá permitir, no futuro, que pessoas em sua condição se comuniquem através de um avatar digital que se assemelha a um ser humano.

Trata-se da primeira vez em que a fala ou expressões faciais foram sintetizadas a partir de sinais cerebrais. A velocidade de decodificação desses sinais em texto é de quase 80 palavras por minuto, uma melhoria considerável em comparação com o dispositivo atual de Ann, que entrega apenas 14 palavras por minuto.

Edward Chang, MD, presidente da cirurgia neurológica da UCSF e que trabalha com essa tecnologia há mais de uma década, está otimista. Ele espera que esta pesquisa recente, publicada em 23 de agosto de 2023 na revista Nature, conduza a um sistema aprovado pela FDA que permita a transformação de sinais cerebrais em fala no futuro próximo.

Ann, antes do AVC, ensinava matemática no ensino médio no Canadá. Ela descreveu a síndrome do encarceramento como sendo “totalmente consciente”, mas “trancada em um corpo onde nenhum músculo funciona”. Com o tempo, ela recuperou algumas funções, como movimento do pescoço, rir e chorar.

Ao se deparar com o estudo do Dr. Chang, Ann viu uma chance de avanço. A equipe implantou 253 eletrodos na superfície de seu cérebro, e após semanas de treinamento, o algoritmo de IA começou a reconhecer os sinais cerebrais de Ann associados à fala.

O sistema, em vez de reconhecer palavras inteiras, decodifica palavras a partir de fonemas – subunidades da fala. Isso permitiu que o computador aprendesse 39 fonemas para decifrar qualquer palavra em inglês, tornando o sistema mais rápido e preciso.

“Precisão, velocidade e vocabulário são fundamentais”, disse Sean Metzger, um dos desenvolvedores do decodificador. “Isso dá a Ann a potencialidade de, com o tempo, comunicar-se quase à velocidade que nós o fazemos, permitindo conversas mais naturais e normais.”

A pesquisa oferece esperança e demonstra o poder da tecnologia e da colaboração humana para superar as limitações físicas.

Referência:

Nature: https://www.nature.com/articles/s41586-023-06377-x

University of California San Francisco

https://www.ucsf.edu/news/2023/08/425986/how-artificial-intelligence-gave-paralyzed-woman-her-voice-back


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