YOU OF THINGS: A NOVA INTERNET DAS COISAS

Quantos de seus dispositivos possuem conexão com a Internet?
No final de 2020, o mundo contava com 21,7 bilhões de dispositivos conectados, sendo que 11,7 bilhões (54% do total) eram dispositivos de IoT, de acordo com a IoT Analytics.
Sendo os dispositivos de IoT todo dispositivo que não seja um smartphone, um notebook ou um computador, o número é chocante. E, para 2025, as previsões indicam 30 bilhões de dispositivos de IoT ao redor do mundo, quase quatro por pessoa.
Bastante coisa, né?
Buscamos mais comodidade, e estamos dispostos a pagar mais por isso
O aumento da demanda pelos dispositivos conectados é reflexo do nosso desejo por conforto e comodidade, e ele só tende a crescer. Afinal, estamos conectando até mesmo as nossas camas à Internet e se isso nos proporcionar experiências mais cômodas.
Por exemplo, pedimos às nossas assistentes tecnológicas para marcarem os nossos compromissos na agenda ao invés de o fazermos sozinhos. Até mesmo compramos assistentes cuja única função é atender aos nossos pedidos, não estando mais inserida em nossos celulares como antes. E esse é só o começo.
Ao que tudo indica, casas inteligentes nos aguardam em um futuro não tão distante, o que implica em uma reflexão sobre esse estilo de vida.
O preço da comodidade é o acúmulo de dados sobre nós
Ao conectarmos os nossos dispositivos mundanos à Internet, como geladeiras, cafeteiras e termostatos, permitimos que eles possam coletar dados pessoais também, como moeda de troca. Afinal, seu próprio funcionamento implica no armazenamento de dados.
E aqui temos um impasse: o número de dispositivos que temos é diretamente proporcional à nossa probabilidade de sofrer uma invasão digital.
Inclusive, isso já é uma realidade: Os cibercrimes cresceram 160% no terceiro trimestre de 2020, devido à falta de protocolos e medidas de segurança nestes dispositivos, de acordo com a Check Point Research.
Ou seja, a privacidade tem que ser uma preocupação desde o começo.
E quando pudermos conectar dispositivos ao nosso corpo?
Ao que tudo indica, estamos caminhando para um futuro em que será possível ampliarmos as capacidades do nosso corpo a partir de implantes e dispositivos. Aliás, algumas alternativas já estão sendo desenvolvidas.
E, então? Como fugir das invasões digitais?
A resposta que Amy Webb deu em sua apresentação na SXSW 2021 parece clara:
precisamos agir antes que esse futuro seja uma realidade.
Afinal, a YoT nada mais seria do que a coleta dos nossos dados pessoais através dessas novas tecnologias. E precisamos garantir que isso seja feito com a nossa privacidade no centro de tudo.
Como os dispositivos podem se tornar mais seguros?
O primeiro desafio a ser enfrentado é a velocidade das regulações vigentes, que não se adaptam às novas tecnologias tão rapidamente quanto novos dispositivos aparecem.
Tivemos o primeiro esboço de como os Neurodireitos devem ser, mas ainda estamos falando de propostas não-oficiais. A boa notícia é que estamos na direção certa. No futuro, esperamos poder contar com leis de proteção destes dados sensíveis, e sistemas de segurança de informação mais bem estruturados.
O que os produtores de dispositivos já podem começar a fazer é adicionar barreiras de segurança, como senhas, digitais ou autenticação de dois fatores, em seus produtos desde o início. Afinal, é muito mais fácil invadir um dispositivo que não tenha sido projetado para ser seguro.
Também, a busca por vulnerabilidades deve ser constante, garantindo a privacidade dos produtos em todos os contextos. Tudo isso faz parte da cultura de privacidade que estamos tentando construir.
Se quisermos caminhar em direção aos biodispositivos, a privacidade deve ser pensada desde a estaca 0.
E tudo isso começa com um simples questionamento:
Será que os usuários estão seguros o bastante?