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DIRETORES DE TRÁFEGO DO CÉREBRO: NEURÔNIOS QUE NOS MANTÊM CONCENTRADOS NAS TAREFAS

Cientistas destacam como nosso cérebro se mantém concentrado mesmo com distrações. A pesquisa identifica neurônios de “movimento-visual” no córtex pré-frontal lateral (CPFL) que utilizam uma atividade coordenada chamada “explosões beta” para reprimir estímulos distraídos e garantir que a atenção permaneça em tarefas gratificantes. Essa descoberta oferece uma compreensão mais aprofundada sobre a concentração cognitiva e proporciona perspectivas sobre distúrbios como TDAH e TOC. Fatos Principais: Tentando terminar seu dever de casa enquanto um filme interessante passa na TV? Neurônios de “movimento-visual” na frente do seu cérebro podem te ajudar a manter o foco, conforme um novo estudo de neurocientistas na Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia. Na pesquisa, publicada recentemente pela Neuron, os cientistas buscaram esclarecer o mecanismo neural que auxilia o cérebro a decidir se concentra a atenção visual em uma tarefa recompensadora ou em uma distração cativante. Ao analisar a atividade neuronal em modelos animais diante desse conflito atencional, os pesquisadores identificaram que um padrão de atividade coordenada, as “explosões beta”, em um conjunto de neurônios no CPFL – uma área na frente do cérebro associada à motivação e recompensas – tem um papel fundamental em manter a atenção centrada na tarefa, reprimindo basicamente a influência do estímulo distraído. “Nossa pesquisa indica que, embora todos os cérebros tenham a capacidade de focar em uma tarefa gratificante e filtrar distrações, alguns são melhores nisso do que outros”, disse o autor principal, Dr. Bijan Pesaran. “Entendendo como nossos cérebros processam estímulos gratificantes, esperamos compreender melhor as falhas nesse processo em vários distúrbios cognitivos e psiquiátricos, como TDAH, esquizofrenia e transtorno obsessivo-compulsivo.” Humanos e outros mamíferos de grande porte conseguem ignorar distrações para manter sua atenção focada em ações que promovem objetivos. Isso é chamado de controle “de cima para baixo”, onde a atenção é direcionada a uma tarefa com o intuito de alcançar um objetivo gratificante. Mamíferos como primatas também possuem circuitos cerebrais que redirecionam automaticamente sua atenção com base em estímulos sensoriais, conhecido como controle “de baixo para cima”. O modo como o cérebro reprime tais distrações para manter a atenção centrada em uma tarefa relacionada ao objetivo nunca foi totalmente esclarecido, até agora. No novo estudo, os cientistas procuraram entender em detalhes o que direciona a atenção para certos estímulos e reprime outros. Utilizando modelos animais, os pesquisadores registraram como a atividade no CPFL varia ao completar uma tarefa e ser apresentado com distrações visuais. Os neurocientistas encontraram evidências sólidas de que um tipo específico de neurônios no CPFL, chamados neurônios de movimento-visual, direcionam a atenção para a forma gratificante ou a distração. Os pesquisadores também observaram que esses neurônios no CPFL disparavam juntos na mesma frequência, denominada “explosões beta”, durante períodos de foco. Quando essas explosões beta ocorriam momentos antes dos estímulos visuais serem apresentados, os sujeitos eram muito mais propensos a ignorar os estímulos visuais e completar a tarefa. Por outro lado, quando as explosões beta eram fracas ou ausentes antes da apresentação dos estímulos visuais, os sujeitos eram mais propensos a desviar sua atenção para as formas visuais brilhantes, mas não gratificantes. “Isso sugere que as explosões beta se originam em uma rede de neurônios de movimento-visual e atuam como ‘diretores de tráfego’ para os neurônios que processam diferentes estímulos visuais”, disse a autora principal, Dra. Agrita Dubey. “Isso também indica que se concentrar em uma tarefa gratificante requer muita energia e que essa habilidade pode ser aprimorada, especialmente em indivíduos com déficits de atenção.” Referência: https://neurosciencenews.com/attention-neurons-23782/

COMO SURGIU A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

Evolução da Inteligência Artificial: De Mitos Antigos a Soluções Modernas A fascinação da humanidade pela criação de seres artificiais não é novidade. Várias culturas ao longo da história almejaram replicar a vida humana através de figuras artificiais. Os mitos gregos, por exemplo, narram sobre Hefesto, divindade das forjas, que moldou autômatos metálicos (Eram estátuas metálicas animadas de homens, animais e monstros) para auxiliá-lo. Estas narrativas, apesar de não se assemelharem às modernas IA, evidenciam o antigo desejo humano de conceber entidades mecânicas com traços humanos. A Gênese da Inteligência Artificial A jornada para a formulação da ideia de inteligência artificial começou antes mesmo de o termo ser popularizado nos anos 50. Em 1943, o neurofisiologista Warren McCulloch e o matemático Walter Pitts escreveram um artigo sobre como os neurônios poderiam funcionar e para isso, eles modelaram uma rede neural simples usando circuitos elétricos. Warren McCulloch e Walter Pitts criaram um modelo computacional para redes neurais baseadas em matemática e algoritmos denominados lógica de limiar (threshold logic). Este modelo abriu o caminho para a pesquisa da rede neural dividida em duas abordagens: uma abordagem focada em processos biológicos no cérebro, enquanto a outra focada na aplicação de redes neurais à inteligência artificial. Essa inovação pavimentou o caminho para as futuras redes neurais artificiais, capazes de aprender e evoluir. O avanço crucial ocorreu com Alan Turing, que, em 1950, introduziu o conceito do “Teste de Turing”, desafiando a ideia de inteligência ao sugerir que uma máquina poderia ser considerada inteligente se pudesse se passar por humana em uma conversa. Turing não apenas lançou alicerces para a futura IA, mas também provocou reflexões sobre as implicações éticas e filosóficas da consciência artificial. O rótulo “inteligência artificial” surgiu em 1956, durante uma conferência em Dartmouth. John McCarthy, pioneiro da área, trouxe o termo à tona para descrever o esforço de desenvolver máquinas que simulassem habilidades cognitivas humanas. A IA nas Décadas Iniciais Durante os anos 50 e 60, foram estabelecidos importantes marcos. Em 1958, McCarthy criou a linguagem LISP, uma ferramenta essencial para trabalhos em IA. Já em 1959, emergiram os primeiros algoritmos genéticos, que, apesar de rudimentares, mostraram a capacidade de evoluir. Na mesma época, sistemas de tradução textual deram seus primeiros passos, e, mesmo com resultados iniciais modestos, sinalizavam o potencial da IA. Os anos 70 trouxeram os “Sistemas Especialistas”, projetados para abordar questões específicas. Ao expandir essa tecnologia para áreas como medicina, a pesquisa em IA começou a tratar da incerteza e complexidade das decisões. O Presente da Inteligência Artificial Atualmente, a IA está em ascensão, catalisada tanto por inovações tecnológicas quanto por demandas do mercado. Exemplificando essa revolução, temos o ChatGPT da OpenAI, que se utiliza do processamento de linguagem natural para estabelecer diálogos fluídos. No entanto, a IA não se restringe a Chatbots. Seja na medicina, na indústria ou no setor financeiro, a inteligência artificial tem reformulado e otimizado processos, evidenciando seu poder transformador na sociedade moderna. Referência: https://exame.com/inteligencia-artificial/como-surgiu-a-inteligencia-artificial/

TECNOLOGIA E HUMANIDADE: O SURGIMENTO DAS ÂNCORAS DE NOTÍCIAS GERADAS POR IA NA ÍNDIA

A crescente discussão sobre se a inteligência artificial (IA) substituirá efetivamente os profissionais humanos tem ganhado destaque na Índia, onde uma nova tendência tem agitado esse debate: a utilização de âncoras de notícias geradas por IA em empresas de comunicação locais. O primeiro caso desse tipo no país ocorreu em abril deste ano, quando o canal de notícias “Aaj Tak”, do grupo “India Today”, uma das maiores empresas de mídia indiana, apresentou Sana, um chatbot que leu os destaques do noticiário. Seguindo esse exemplo, a estação de televisão “Odisha TV”, no leste da Índia, também adotou uma apresentadora chamada Lisa, gerada por IA, para ler as manchetes em Odia, o idioma local. Apresentando-se com um sari, olhos e cabelos escuros, Lisa fornece as notícias tanto para a televisão quanto para as plataformas digitais da empresa. Chatbots Lisa e Sana: Desafios e Potencialidades na Comunicação Multilíngue À primeira vista, Lisa pode facilmente ser confundida com uma apresentadora humana, mas uma análise mais detalhada revela seus movimentos lentos ao piscar os olhos e os poucos gestos realizados com as mãos. A voz de Lisa tem um tom robótico e monótono, e ela não marca a fala durante a apresentação, como é comum entre os jornalistas humanos. O chatbot também aparece no perfil do Twitter da “Odisha TV”, onde, em algumas publicações, ela aparece sem o sari e com os cabelos soltos. Apesar das limitações evidentes na comunicação do chatbot, o “South China Morning Post (SCMP)” sugere que, devido à capacidade de falar mais de um idioma, tanto Sana quanto Lisa podem facilitar o consumo de notícias na Índia, que possui mais de 20 idiomas oficiais diferentes. Enquanto Lisa fala apenas em inglês e Odia, Sana é capaz de se comunicar em 75 idiomas distintos. Chatbots na Mídia: Complementando e Impulsionando a Comunicação Tanto o “India Today” quanto a “Odisha TV” asseguram que os chatbots não substituem os jornalistas humanos, mas apenas os complementam. De fato, após ler as manchetes, Sana e Lisa costumam passar a palavra para os apresentadores humanos, que conduzem os debates com os convidados. Apesar dessa garantia, ambos os grupos indianos estão treinando as tecnologias para interagir melhor com os humanos, e o “India Today” tem o desejo de que Sana também possa mediar os debates na TV. O objetivo é se manter na vanguarda das inovações tecnológicas e aproveitar ao máximo o potencial oferecido pela IA. Para as empresas de comunicação, a adoção desses chatbots traz benefícios, como o aumento da eficiência da equipe, garantindo cobertura 24 horas e diversificando a linguagem falada. Além disso, as tarefas banais, repetitivas ou de análise de dados podem ser realizadas pela IA, permitindo que os jornalistas humanos se concentrem em abordagens inovadoras e no trabalho mais criativo. Contudo, do outro lado, há preocupações com a falta de nuances nas histórias transmitidas e a ausência de um elemento humano nas apresentações. Além disso, surgem apreensões em relação à segurança do emprego, já que a crescente adoção de IA na mídia pode levantar questões sobre a manutenção de empregos tradicionais. Sana e Lisa se juntam a uma legião de outros chatbots utilizados na comunicação, inclusive como apresentadores de notícias e previsões do tempo em várias partes do mundo. Essa tendência provavelmente continuará evoluindo, e é necessário encontrar um equilíbrio entre o potencial da inteligência artificial e a importância do elemento humano na indústria da mídia. Referência: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/india-cria-apresentadores-de-noticias-com-ia-e-acende-alerta-nos-profissionais-da-area/

NEUROTECNOLOGIA EM ASCENSÃO: DESAFIOS ÉTICOS E A BUSCA POR REGULAMENTAÇÃO RESPONSÁVEL

Os avanços científicos estão impulsionando o desenvolvimento de tecnologias que pareciam pertencer exclusivamente ao mundo da ficção científica, como a leitura da mente, e estão dando origem a um conjunto de desafios éticos para os especialistas em ética e governantes. Essas novas neurotecnologias, que envolvem técnicas e dispositivos capazes de interagir diretamente com o cérebro para monitorar e até mesmo alterar sua atividade, têm crescido rapidamente em termos de pesquisa, investimento e aplicação prática. A Unesco, como agência científica e cultural das Nações Unidas, assumiu o papel de facilitadora do debate sobre a regulamentação dessas “neurotecnologias” emergentes. Uma reunião realizada em 13 de julho em Paris reuniu neurocientistas, eticistas e ministros do governo para discutir os próximos passos na governança dessas tecnologias. Gabriela Ramos, diretora-geral adjunta de Ciências Sociais e Humanas da Unesco, enfatizou que a regulamentação da neurotecnologia é uma discussão que vai além dos aspectos puramente tecnológicos; trata-se de uma discussão social e jurídica. Desafios Regulatórios e Éticos na Era da Decodificação Cerebral O campo da neurotecnologia abrange várias inovações promissoras, incluindo técnicas avançadas de neuroimagem que possibilitam a decodificação do conteúdo dos pensamentos das pessoas e interfaces cérebro-computador implantadas (BCIs) que podem converter a atividade cerebral em texto. O relatório mais recente da Unesco revelou que o número de patentes relacionadas à neurotecnologia dobrou globalmente entre 2015 e 2020, e o investimento na área cresceu consideravelmente, transformando-a em uma indústria avaliada em bilhões de dólares. Uma das principais áreas que precisa ser regulamentada diz respeito ao uso de neurotecnologias para traçar perfis individuais e potencialmente manipular os pensamentos e comportamentos das pessoas. A preocupação se concentra especialmente nos dispositivos de monitoramento cerebral destinados ao mercado de massa, como fones de ouvido, fones de ouvido e pulseiras que registram diversas formas de atividade neural. Especialistas em ética, como Nita Farahany, da Universidade Duke, alertam para a possibilidade de atores corporativos e políticos utilizarem esses dados pessoais para ganhos políticos ou comerciais. A falta de regulamentação em relação a esses dispositivos comerciais é particularmente preocupante, visto que algumas empresas têm exigido que os usuários cedam a propriedade de seus dados cerebrais, além de reservarem o direito de compartilhar esses dados com terceiros. Neurotecnologia: Desafios Regulatórios e a Busca pelos Neurodireitos A regulamentação da neurotecnologia apresenta desafios significativos, especialmente no que diz respeito a encontrar um equilíbrio entre a proteção dos direitos individuais e a promoção da pesquisa para benefícios médicos e tecnológicos legítimos. Dispositivos médicos, como os implantes cerebrais usados para tratar doenças como a doença de Parkinson, são amplamente regidos por regulamentações existentes para medicamentos e dispositivos médicos. Em contraste, os dispositivos comerciais enfrentam uma lacuna regulatória que precisa ser preenchida para evitar abusos e violações de privacidade. Além dos desafios de privacidade, os avanços na neurotecnologia também desafiam os direitos humanos existentes. Diante desse cenário, alguns pesquisadores propuseram a ideia de “neurodireitos” para garantir a proteção contra terceiros que possam acessar e afetar a atividade cerebral das pessoas sem seu consentimento. Marcello Ienca, filósofo da Universidade Técnica de Munique, e Rafael Yuste, neurocientista da Universidade de Columbia, sugerem cinco principais neurodireitos: o direito à privacidade mental, proteção contra manipulações que alterem a personalidade, livre arbítrio protegido e tomada de decisões, acesso justo ao aumento mental e proteção contra vieses nos algoritmos centrais da neurotecnologia. Vários países, como Chile, Espanha, Eslovênia e Arábia Saudita, já estão empenhados no desenvolvimento de regulamentações para a neurotecnologia. O Chile, por exemplo, se destacou ao ser o primeiro país a atualizar sua Constituição para reconhecer a necessidade de supervisão legal na área. Os legisladores desses países enfrentam o desafio de criar legislação que proteja contra possíveis danos sem sufocar a inovação e a pesquisa científica relacionada à neurotecnologia. A Unesco está se preparando para votar em novembro sobre a produção de diretrizes globais para a neurotecnologia, assim como está finalizando diretrizes semelhantes para a inteligência artificial. O objetivo é estabelecer princípios éticos sólidos que possam ser transformados em marcos legais concretos, oferecendo orientações para os Estados-membros sobre como lidar com essa tecnologia de forma responsável e ética. Embora a neurotecnologia ainda não tenha se generalizado em toda a sociedade, é necessário agir de forma proativa para garantir que seu desenvolvimento seja guiado por considerações éticas e respeito aos direitos humanos. A busca por um equilíbrio adequado entre avanço científico e proteção individual é um desafio crucial para a sociedade contemporânea e as gerações futuras. Referências

CHATBOTS E IA: A REPRODUÇÃO DA INTELIGÊNCIA HUMANA EM SERVIDORES

Estamos caminhando em direção a um futuro em que as máquinas se aproximam dos seres humanos cada vez mais. Pelo menos é o que diziam os filmes futurísticos, as previsões para este milênio e as apostas para a próxima década. Também é o que diz Ray Kurkweil, o escritor do livro “A singularidade está próxima”. Para Ray, em sua reflexão sobre a singularidade tecnológica, em 2029 a humanidade já terá os recursos de inteligência artificial necessários “para que máquinas atinjam a inteligência humana, inclusive a inteligência emocional”.  E sua visão já parece se concretizar: algumas empresas já estão apostando as suas fichas em projetos de inteligência artificial. E algumas delas estão se sobressaindo. MAS O QUE ISSO SIGNIFICA NA PRÁTICA? O desenvolvimento de robôs com inteligência artificial (IA) e aprendizagem de máquina (ML) não são recentes, tendo começado no século passado. Algumas delas já ocupam espaço no mercado de trabalho, enquanto outras fazem parte das estratégias das marcas de atendimento de clientes: os chatbots. Pelo menos parte das previsões já foi concretizada: os robôs estão se aproximando dos seres humanos. Em parte porque eles começaram a fazer parte do nosso cotidiano, em nossos celulares, trabalhos e casas; e em parte porque eles se assemelham à nossa própria inteligência, resultando até mesmo em discussões sobre sua criatividade. COMO RAY APONTA, O PRÓXIMO PASSO SERIA ROBÔS COM INTELIGÊNCIA EMOCIONAL Até o momento, chatbots já estão sendo amplamente integrados nas estratégias das empresas. Temos até alguns cases de sucesso, como a BIA do Bradesco e o canal da Uber pelo Facebook Messenger. O que ainda não foi popularizado são chatbots espontâneos, que se comportam de maneira neuromórfica. Alguns projetos já estão sendo desenvolvidos, como a Meena do Google, mas ainda não foram disponibilizados ao público. E estes são a maior aposta de chatbots para experiências mais personalizadas: robôs que interagem conosco de forma espontânea e que aprendem (e continuarão aprendendo) de forma exponencial. ESSE É O CONCEITO DE SINGULARIDADE TECNOLÓGICA Nós criamos inteligências artificiais que, ao alcançarem o nosso intelecto, serão capazes de criar as suas próprias inteligências, que criarão as suas próprias, e assim por diante. É a previsão de Ray quando ele fala sobre “máquinas das quais o intelecto será enormemente superior aos humanos em todas as áreas” e que dividirão e disputarão espaço conosco. Talvez esse seja o maior receio quando abordamos as inteligências artificiais. Projetos como a Meena são interessantes porque apontam para um futuro de conversas fluídas, com inteligências que não são mais humanas. De certo são reproduções das nossas próprias capacidades, mas são outra coisa. Um outro projeto. POSSIVELMENTE, NO FUTURO, NÃO SEREMOS MAIS CAPAZES DE DISTINGUIR COM QUEM FALAMOS Os chatbots são ferramentas poderosas para escalabilizar o atendimento ao público sem sobrecarregar uma equipe. Entretanto, talvez não atendam às demandas futuras se não oferecerem experiências fluídas. Marcas de luxo que oferecem experiências personalizadas não poderiam aderir a chatbots automáticos sem prejudicar a sua proposta de valor, por exemplo. E foi isso o que levou ao desenvolvimento de projetos mais autônomos, dando mais um passo em direção a inteligências artificiais que reproduzem a nossa – e que possam substituí-la em certas ocasiões. OS ROBÔS OFERECEM UM ELEMENTO-CHAVE PARA AS EMPRESAS: A ESCALABILIDADE A habilidade de processar mais dados por segundo e de transmitir informações diferem os seres humanos dos robôs, por enquanto. Até o momento em que possamos implantar dispositivos que nos permitem ampliar as nossas capacidades cerebrais, estamos limitados por nossas capacidades cerebrais. Mas não os robôs. Poder adicionar servidores a uma máquina e torná-la mais potente é um grande diferencial de performance. Digamos que uma pessoa consegue atender até cinco pessoas simultaneamente. O chatbot é escalável e consegue atender mais e mais pessoas sem perder a qualidade do atendimento. É uma perspectiva incrível para as empresas. Este é um exemplo do que Ray quis dizer quando falou sobre máquinas que dividirão e disputarão espaço conosco. De certo, as máquinas poderão alcançar o nosso intelecto em algum momento. Mas, por enquanto, ainda dependemos da inteligência emocional humana aqui e ali.

NEURODIREITOS E O CAMINHO QUE TRAÇAMOS PARA A NEUROTECNOLOGIA

No universo fantástico dos super-heróis, o controle da mente é uma ferramenta poderosa e destrutiva. Não faltam exemplos de personagens que tiveram suas mentes invadidas e identidades tiradas de si, tornando-os algo além de si mesmos. Um trem descarrilhado, em direção a uma tragédia. Já nesse momento, é provável que o público se questione sobre como esse momento poderia ter sido evitado. Afinal, esse é um final difícil para uma bela história. E se alguém tivesse agido no momento certo? E se alguém tivesse previsto as consequências? Talvez o final pudesse ter sido diferente. No mundo real, não podemos voltar atrás de grandes decisões. Quando nos propomos a estudar os segredos do cérebro, temos a responsabilidade de garantir que as descobertas não escapem de nossas mãos. Em outras palavras, estamos finalmente num momento em que podemos decidir que caminho queremos para essa história (e para a humanidade). As preocupações tampouco são sem fundamento A neurotecnologia já nos permite ver e interagir com as nossas mentes. O próximo passo é controlá-la. Rafael Yuste, catedrático da Universidade Columbia, traz uma reflexão importante para essa discussão: “Aqui em Columbia, meu colega desenvolveu uma prótese visual sem fio para cegos com um milhão de eletrodos, que permite conectar uma pessoa à rede. Mas também se pode usar para criar soldados com supercapacidades”. A fala de Yuste demonstra a diversidade de formas como essas tecnologias podem ser utilizadas. Entretanto, sua crítica muito se relaciona ao universo de super-heróis: não é porque as tecnologias podem ser utilizadas para fins militares que elas deveriam. Neste cenário, não deveriam. E a indústria bélica não é a única interessada por essas descobertas: outros gigantes tecnológicos como o Facebook, Microsoft e Google demonstram interesse no futuro da neurotecnologia. Em uma era de Big Data, em que os dados são o ativo mais importante de qualquer empresa, a possibilidade de desvendar a mente humana é irresistível. Para Yuste, “as empresas tecnológicas estão se metendo nisso de cabeça porque pensam, acertadamente, que o novo iPhone vai ser uma interface cérebro-computador não invasiva”. Então, como tentativa de gerenciar esse cenário e garantir que ele seja conduzido de forma ética, foram criados direitos inéditos: os neurodireitos, propostos pelo Morningside Group, do qual Rafael Yuste faz parte. Afinal, a falta de regulação destas pesquisas fere alguns direitos básicos, como a privacidade, liberdade e segurança. Mas quais são os neurodireitos propostos? 1. Direito à identidade pessoal. Por trás deste, podemos encontrar a preocupação com a perda de identidade do ser humano ao entrar em contato com a tecnologia. Compreensivelmente, as neurotecnologias dispõem do poder de alterar a natureza e realidade do indivíduo, que exercem grande influência em sua identidade. 2. Direito ao livre-arbítrio. Apesar de estar intimamente relacionado ao direito anterior, implicações como a perda de responsabilidade pessoal, moral e civil entram em questão com o potencial das neurotecnologias de agir pelo próprio cérebro. A palavra-chave aqui é consentimento, que implica na responsabilidade em agir de certa forma. 3. Direito à privacidade mental. O terceiro direito diz respeito à possibilidade de coletarmos dados inéditos – os neurodados. Aqui, se torna essencial preservar a inviolabilidade de cada parte dessa informação, que foi coletada com um propósito específico. Para os autores, o consentimento sobre compartilhar ou não esses dados foi uma das formas encontradas de se exercer esse direito. 4. Direito à ampliação Partindo de um cenário de grande desigualdade, uma das preocupações do grupo é reforçar o Direito Humano à Acessibilidade, com um foco especial para as novas tecnologias de ampliação humana. As novas capacidades que serão disponibilizadas não deveriam ser restritas a poucos grupos, e sim disponibilizadas e acessíveis para todos. 5. Direito à proteção contra vieses Esse direito reforça também o Direito Humano a Não-Discriminação, de forma que falhas tecnológicas que reforcem os preconceitos daqueles que desenvolveram a tecnologia não serão toleradas. Para o grupo, discussões abertas sobre o tema são necessárias para a identificação de vieses problemáticos, e são essenciais para a sua correção. Neuroética significa proteção A Neuroética defende a proteção dos dados pessoais, da integridade física e da privacidade. Assim, assume-se um compromisso em utilizar os dados apenas para alcançar a finalidade previamente acordada, com cuidado redobrado quando se tratam de vazamentos. Os dados são poderosos, e devem ser tratados com respeito e cautela. Com um olhar humano. É preciso que as organizações que optem por coletar e armazenar esses dados tenham um compromisso com o seu público e a sua privacidade, e adotem os dispositivos de segurança adequados. Como diz a sabedoria popular: o combinado não sai caro. Apesar de não serem direitos oficialmente aprovados e garantidos, essa proposta é essencial para a estruturação dos direitos que estão por vir. Retomamos aqui o princípio do Peter Parker, ou Homem-Aranha: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. E, com grandes responsabilidades, a legislação se torna fundamental. Referência: https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-02-13/por-que-e-preciso-proibir-que-manipulem-nosso-cerebro-antes-que-isso-seja-possivel.html

RUÍDOS E VIESES: COMO TORNAR A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL MAIS CONFIÁVEL

Será que 1 + 1 é sempre 2 para o nosso cérebro?  Na matemática básica, com certeza. Mas agora, se duas pessoas receberem as mesmas informações, será que elas tomariam sempre a mesma decisão?  Bom, não. Diversos fatores afetam a nossa tomada de decisões, desde os nossos vieses e o resultado de experiências anteriores até fatores mais subjetivos, como o nosso humor.  Nesse sentido, não necessariamente duas pessoas tomam as mesmas decisões, mesmo tendo se baseado nas mesmas informações. Essa é a ideia de ruído humano defendida por Daniel Kahneman, economista comportamental, ganhador do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas e um dos autores do livro “Noise: A Flaw in Human Judgment”. Agregando à sua perspectiva, esse processo de tomada de decisão pode ser bem estressante para o nosso cérebro, que interpreta, analisa e relaciona diversas informações para projetar e classificar diversos cenários, para, enfim, escolher um. Mas nem sempre temos tempo para processar tudo isso. Então, como tomar decisões sem demandar tanto esforço ou tempo? PADRONIZANDO A TOMADA DE DECISÃO Quando buscamos padronizar a tomada de decisão, os algoritmos são muito mais democráticos do que o pensamento humano. De forma simplificada, os algoritmos são comandos para a realização de X caso Y aconteça. Eles podem variar em sua complexidade, mas os resultados são consistentes – podendo alcançar números impressionantes, como uma consistência de 99,99%. Entretanto, esses comandos não são perfeitos: não apenas existe sempre uma taxa de erro que deve ser considerada, como os sistemas são criados por seres humanos que reproduzem os seus próprios vieses em suas criações. Somos perfeitamente capazes de criar sistemas injustos tentando resolver os ruídos das decisões humanas. DECISÕES AUTOMÁTICAS MAIS JUSTAS E CONFIÁVEIS Para isso, o processo de treinamento de uma inteligência artificial ou de um algoritmo é fundamental para alcançarmos decisões automáticas mais precisas, padronizadas, eficientes e corretas. No geral, mais justas. De acordo com Virginia Dignum, líder do grupo de pesquisa em Inteligência Artificial Social e Ética e professora de Ciência da Computação na Universidade de Umeå, é preciso compreender o ambiente no qual os sistemas operam para alcançarmos sistemas de IA justos. Então, eliminar seus vieses tem muito a ver com oferecer o máximo de informações possíveis, treiná-lo para diferentes cenários e ter um plano de ações para aquela taxa de erro de 0,01%. Parece pouco, mas pode representar milhões de erros em grande escala. O PODER DA DESCONFIANÇA Ao assumirmos que nenhum sistema é perfeito, temos a oportunidade de aprimorá-los para torná-los melhores – até mais seguros. Pelo menos, essa é a perspectiva de Ayanna Howard, reitora da Faculdade de Engenharia da Ohio State University, roboticista, empreendedora e educadora. A única forma de evitar os erros de julgamento é nos preparando para eles. Então, a desconfiança é o primeiro passo. Outra preocupação deve ser a coleta de informações que respondam às perguntas certas – o que se torna um desafio com o viés da confirmação. Se buscamos informações apenas para confirmar as nossas suspeitas iniciais, não estamos de fato respondendo nada. Estaremos respondendo que 1 + 1 = 3 sem nem perceber. Por fim, devemos questionar os modelos mentais que usamos para definir, enquadrar e solucionar os problemas, e a forma como reproduzimos isso nos algoritmos. Se o sistema artificial não for confiável, não houve tanto progresso assim. A longo prazo, podemos até pensarmos em robôs com inteligência emocional para tomarem as decisões difíceis com mais precisão. Assim, poderemos tornar a inteligência artificial mais confiável, e as decisões mais justas.

ROBÔS JÁ SÃO CAPAZES DE CODIFICAR

Dos criadores de robôs autoconscientes, vêm aí robôs que sabem codificar.  Para robôs que funcionam a base de código, a perspectiva é fascinante. E foi desenvolvida por dois bons motivos: não só existe uma escassez de mão de obra qualificada para cargos de tecnologia, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), como o processo de desenvolvimento e manutenção de softwares consome muito tempo e é passível de erros. Então, a ajuda da inteligência artificial é bem-vinda para ajudar com os desafios do setor, que só deve aumentar nos próximos anos. Segundo a previsão da Brasscom, o setor deve abrir cerca de 290 mil vagas até 2024.  Então, como garantir o crescimento da indústria? PROGRAMAÇÃO DE MÁQUINA A visão de Justin Gottschlich, Líder de Pesquisa de Programação de Máquina da Intel Labs, é fascinante e nos ajuda a visualizar esse cenário a longo prazo: “Eu acredito que podemos criar uma sociedade onde todos podem criar software, mas as máquinas vão lidar com a parte de programação”. Para essa ideia, foi atribuído o nome “programação de máquina”. Afinal, quanto tempo será que é investido na identificação de erros em códigos, na correção de bugs ou no aprendizado de uma nova linguagem de programação? Será que essas tarefas não poderiam ser automatizadas para desenvolvedores dedicarem o seu tempo sendo criativos e disruptivos? Para Justin, esse é o futuro da programação. AUTOMAÇÃO ASSISTIDA A obra metalinguística de robôs codificando já é realidade e se chama GitHub Copilot. Ele nada mais é do que uma ferramenta capaz de automatizar algumas das tarefas entre a idealização de um software e sua construção, mas faz isso de forma inteligente, propondo melhorias e até escrevendo funções inteiras. De certo, muito útil para desenvolvedores. E, como de praxe com inteligências artificiais, elas podem ser treinadas a partir de um banco de dados – o que chamamos de machine learning. Assim, sendo capazes de extrapolar esse conhecimento e respondendo a novos desafios. Quanto mais ela aprende, mais ela nos ajuda. E, quanto mais a usamos, mais ela aprende. É um belo exemplo do que chamamos de automação assistida. O FUTURO DA PROGRAMAÇÃO AUTOMATIZADA Por enquanto, o GitHub Copilot está disponível apenas como uma prévia técnica, mas por si só é um grande salto para a indústria. Nos próximos anos, ferramentas de programação de máquina devem ser inseridas no mercado, visando atender toda a sua demanda e impulsionar a inovação de diversos setores. E, com elas, seremos capazes de eliminarmos desperdício e a otimizarmos esforços, mas tudo dentro do nosso controle. Mecanismos de segurança também devem ser melhor desenvolvidos nesse futuro da programação automatizada, compreendendo melhor as necessidades dos usuários, evitando sugestões tendenciosas ou trechos de código de baixa segurança. No futuro, ferramentas como essa poderão ser muito úteis, mas ainda exigem um desenvolvedor experiente para extrair o máximo da tecnologia. Quantas inovações poderão ser desenvolvidas a partir dessa ferramenta? Seu potencial é gigantesco.

O DIA EM QUE A INTELIGÊNCIA DOS ROBÔS SUPERARÁ A NOSSA

Existe um conceito físico que ganhou força nas últimas décadas: a singularidade. A ideia por trás dos buracos negros, na qual a densidade da matéria é tão grande que não conseguimos mais prever a sua natureza.  Podemos pensar, aqui, na gravidade. Somos constantemente atraídos para o centro do planeta, e, quanto mais próximos, maior a sua atração.  Quando crianças perguntam por que a água do planeta não escorre pelo universo, falamos sobre a gravidade e explicamos que a sua força nos atrai à Terra e impede a água de vazar por aí. Ela é uma força conhecida e previsível, e sabemos como ela se comporta. A SINGULARIDADE? NEM TANTO. NÃO SABEMOS O QUE ESTÁ POR VIR. O filme Interstellar é um belo exemplo para quem se interessar pelo conceito de singularidade física e buracos negros, mas traremos aqui uma aplicação desse mesmo conceito: a singularidade tecnológica. Da mesma forma como a atração gravitacional se multiplica rumo a um ponto abstrato, as inovações tecnológicas também. Eis a singularidade. O ser humano, com a sua capacidade intelectual, foi capaz de reproduzi-la em servidores. Criamos inteligências artificiais que cada vez mais se assemelham à nossa própria, e que cada vez mais se aproximam do nosso comportamento. MAS A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA NÃO PARARIA QUANDO OS ROBÔS PENSASSEM COMO NÓS Não estamos no caminho de criar robôs que pensam como nós: queremos robôs que extrapolem as nossas capacidades. Queremos mais, mais rápido e melhor. Para Ray Kurzweil, autor dos livros “A Era das Máquinas Espirituais” e “A Singularidade Está Próxima”, não deixa dúvidas de que a inteligência dos robôs superará a nossa. O cérebro humano possui uma capacidade de cerca de 1.026 cálculos por segundo (CPS), que não deve sofrer grandes alterações nas próximas décadas, ao contrário dos robôs. Por volta de 2040, Ray prevê inteligências não-biológicas que serão um bilhão de vezes mais rápidas do que a nossa limitação de 1.026 cálculos por segundo. E A TENDÊNCIA É QUE ESSA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL CRIE A SUA PRÓPRIA, COMO NÓS FIZEMOS Em algum momento da história, decidimos contar com as máquinas para realizar tarefas que não precisavam ser feitas por um ser humano. Algumas de caráter repetitivo, como nas indústrias, e outras de caráter analítico, como as ferramentas de análise de dados. Pelo menos na sociedade que construímos as tarefas são exponenciais, mas não damos conta de atendê-las perfeitamente sozinhos. Então, programamos robôs para nos ajudar de forma cotidiana, como os chatbots, que atendem os nossos clientes com demandas mais simples. Talvez as inteligências artificiais do futuro resolvam problemas mais complexos, com as suas capacidades mais complicadas. Mas ela também criaria o seu próprio projeto artificial. E isso vai gerar uma sucessão que tende ao infinito. Tão imprevisível quanto buracos negros. Não sabemos ao certo o que está por vir, mas, ao que tudo indica, a inteligência é uma força exponencial. E tudo começou com um projeto de inteligência artificial no século passado. Digno de um episódio de Black Mirror.

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NEUROTECNOLOGIA EM ASCENSÃO: DESAFIOS ÉTICOS E A BUSCA POR REGULAMENTAÇÃO RESPONSÁVEL

Os avanços científicos estão impulsionando o desenvolvimento de tecnologias que pareciam pertencer exclusivamente ao mundo da ficção científica, como a leitura da mente, e estão dando origem a um conjunto de desafios éticos para os especialistas em ética e governantes. Essas novas neurotecnologias, que envolvem técnicas e dispositivos capazes de interagir diretamente com o cérebro para monitorar e até mesmo alterar sua atividade, têm crescido rapidamente em termos de pesquisa, investimento e aplicação prática. A Unesco, como agência científica e cultural das Nações Unidas, assumiu o papel de facilitadora do debate sobre a regulamentação dessas “neurotecnologias” emergentes. Uma reunião realizada em 13 de julho em Paris reuniu neurocientistas, eticistas e ministros do governo para discutir os próximos passos na governança dessas tecnologias. Gabriela Ramos, diretora-geral adjunta de Ciências Sociais e Humanas da Unesco, enfatizou que a regulamentação da neurotecnologia é uma discussão que vai além dos aspectos puramente tecnológicos; trata-se de uma discussão social e jurídica. Desafios Regulatórios e Éticos na Era da Decodificação Cerebral O campo da neurotecnologia abrange várias inovações promissoras, incluindo técnicas avançadas de neuroimagem que possibilitam a decodificação do conteúdo dos pensamentos das pessoas e interfaces cérebro-computador implantadas (BCIs) que podem converter a atividade cerebral em texto. O relatório mais recente da Unesco revelou que o número de patentes relacionadas à neurotecnologia dobrou globalmente entre 2015 e 2020, e o investimento na área cresceu consideravelmente, transformando-a em uma indústria avaliada em bilhões de dólares. Uma das principais áreas que precisa ser regulamentada diz respeito ao uso de neurotecnologias para traçar perfis individuais e potencialmente manipular os pensamentos e comportamentos das pessoas. A preocupação se concentra especialmente nos dispositivos de monitoramento cerebral destinados ao mercado de massa, como fones de ouvido, fones de ouvido e pulseiras que registram diversas formas de atividade neural. Especialistas em ética, como Nita Farahany, da Universidade Duke, alertam para a possibilidade de atores corporativos e políticos utilizarem esses dados pessoais para ganhos políticos ou comerciais. A falta de regulamentação em relação a esses dispositivos comerciais é particularmente preocupante, visto que algumas empresas têm exigido que os usuários cedam a propriedade de seus dados cerebrais, além de reservarem o direito de compartilhar esses dados com terceiros. Neurotecnologia: Desafios Regulatórios e a Busca pelos Neurodireitos A regulamentação da neurotecnologia apresenta desafios significativos, especialmente no que diz respeito a encontrar um equilíbrio entre a proteção dos direitos individuais e a promoção da pesquisa para benefícios médicos e tecnológicos legítimos. Dispositivos médicos, como os implantes cerebrais usados para tratar doenças como a doença de Parkinson, são amplamente regidos por regulamentações existentes para medicamentos e dispositivos médicos. Em contraste, os dispositivos comerciais enfrentam uma lacuna regulatória que precisa ser preenchida para evitar abusos e violações de privacidade. Além dos desafios de privacidade, os avanços na neurotecnologia também desafiam os direitos humanos existentes. Diante desse cenário, alguns pesquisadores propuseram a ideia de “neurodireitos” para garantir a proteção contra terceiros que possam acessar e afetar a atividade cerebral das pessoas sem seu consentimento. Marcello Ienca, filósofo da Universidade Técnica de Munique, e Rafael Yuste, neurocientista da Universidade de Columbia, sugerem cinco principais neurodireitos: o direito à privacidade mental, proteção contra manipulações que alterem a personalidade, livre arbítrio protegido e tomada de decisões, acesso justo ao aumento mental e proteção contra vieses nos algoritmos centrais da neurotecnologia. Vários países, como Chile, Espanha, Eslovênia e Arábia Saudita, já estão empenhados no desenvolvimento de regulamentações para a neurotecnologia. O Chile, por exemplo, se destacou ao ser o primeiro país a atualizar sua Constituição para reconhecer a necessidade de supervisão legal na área. Os legisladores desses países enfrentam o desafio de criar legislação que proteja contra possíveis danos sem sufocar a inovação e a pesquisa científica relacionada à neurotecnologia. A Unesco está se preparando para votar em novembro sobre a produção de diretrizes globais para a neurotecnologia, assim como está finalizando diretrizes semelhantes para a inteligência artificial. O objetivo é estabelecer princípios éticos sólidos que possam ser transformados em marcos legais concretos, oferecendo orientações para os Estados-membros sobre como lidar com essa tecnologia de forma responsável e ética. Embora a neurotecnologia ainda não tenha se generalizado em toda a sociedade, é necessário agir de forma proativa para garantir que seu desenvolvimento seja guiado por considerações éticas e respeito aos direitos humanos. A busca por um equilíbrio adequado entre avanço científico e proteção individual é um desafio crucial para a sociedade contemporânea e as gerações futuras. Referências

E SE UM ROBÔ FOSSE O SEU CIRURGIÃO?

Visualize um mundo em que a existência de robôs é cotidiana: Contamos com a sua ajuda tanto dentro quanto fora de casa. Afinal, eles são os nossos assistentes virtuais, nossos colegas de trabalho e até mesmo os amigos com quem compartilhamos histórias. Com eles, nossa existência flui bem. Temos ganhos em qualidade de vida, em organização, em resultados, e muito mais. Temos mais produtividade e mais possibilidades, graças à sua ajuda.  Aqui estamos, na verdade, descrevendo a visão do livro “Eu, Robô” para 2035, mas parece que a realidade se adiantou alguns anos. Afinal, todos esses itens já são realidade. E ainda tem muito por vir. Expandindo os horizontes Quando falamos da coexistência entre robôs e seres humanos, muitas das apostas são referentes ao mercado de trabalho. E não é à toa: podemos ter indústrias mais eficientes e seguras; análises mais certeiras; entregas mais rápidas; e até maior escalabilidade de atendimento. Podemos, portanto, atender melhor os nossos clientes e entregar mais valor. Uma perspectiva interessante para as empresas. A automação em dados O impacto da automação na indústria da saúde Um dos principais benefícios da adoção de robôs no mercado de trabalho é a sua precisão, que é particularmente útil em análises de dados ou trabalhos industriais. Sendo assim, não podemos deixar de mencionar que a precisão também é decisiva na indústria da saúde, especialmente quando falamos de cirurgias. E existe espaço para melhora: 138 milhões de pessoas são afetadas anualmente por erros médicos (OMS). A nova era de cirurgias Isso pode ser uma surpresa para alguns leitores, mas a presença de tecnologia em cirurgias já não é novidade. Inclusive, já podemos contar com nanorobôs, câmeras do tamanho de uma pílula, e até mesmo braços robóticos que auxiliam cirurgiões a serem mais precisos em alguns procedimentos. O próximo passo seriam robôs capazes de operar sozinhos, e já temos até um em teste: um robô em cápsula criado no Boston Children’s Hospital que é capaz de operar de forma independente, pelo menos em parte do procedimento, corrigindo válvulas cardíacas. A previsão é que o robô ainda não seja capaz de operar seres humanos nos próximos anos, apenas animais, mas já é um grande passo em direção à cirurgias com maior visibilidade e precisão. E os robôs não estão desapontando As cirurgias inteligentes estão conquistando resultados tão bons quanto médicos em algumas tarefas técnicas, como em localizar feridas, realizar suturas e remover tumores. Podemos considerar, também, que o tempo de treinamento dessa tecnologia, assim que disponível, seria inferior ao tempo de treinar um médico-cirurgião. Ou seja, teríamos uma oferta maior de cirurgiões capacitados, o que também significa filas de espera menores. Claro, nem todas as cirurgias seriam substituíveis por um robô, pelo seu grau de complexidade. Mas algumas, consideradas fáceis e repetitivas, podem ser bons candidatos para as novas tecnologias.

A TECNOLOGIA QUE IMITA A VIDA

Temos muito para falar sobre inteligências artificiais, robôs neuromórficos e tecnologias ciborgues. Se algumas tecnologias são exponenciais, com certeza as tecnologias digitais estão entre elas. E, com isso, o número de projetos e pesquisas que envolvem o cérebro humano estão em alta.  Nunca estivemos tão perto de desvendar o nosso cérebro – o que vem com muita expectativa sobre como podemos melhorá-lo. Essas são as maiores possibilidades para a Neurotecnologia dos próximos anos. Já abordamos chatbots que se assemelham à inteligência humana, tecnologias que potencializam o funcionamento cerebral, e até mesmo robôs cirurgiões.  Mas nenhuma delas foi desenvolvida para outros animais. São centradas em seres humanos. E se… E se tivéssemos uma tecnologia que não apenas ajudasse seres humanos, mas também outros animais? E se ela pudesse ajudá-los caso perdessem um membro? E se ela pudesse nos ajudar a entendê-los melhor? Estamos falando da biônica, área de estudo que combina engenharia, biologia e robótica. Ela é particularmente responsável pelos membros artificiais que podemos utilizar na falta de um, mas tem muitas outras aplicações. Um ótimo exemplo de mercado em expansão. Em números: Seu valor foi avaliado em US$28,5 bilhões em 2020, com a previsão de que alcance US$ 58,9 bilhões nos cinco anos seguintes. Ou seja, um aumento de 106%. Uma nova vida Se um ser humano tem acesso a próteses e órgãos impressos em 3D caso precise, por que não dar o mesmo tratamento a outros animais? Foi seguindo essa linha de pensamento que diversos pesquisadores se propuseram a ajudar animais resgatados. No Brasil temos até um grupo que se dedica especialmente a isso: os Animal Avengers, ou Vingadores dos Animais. E não precisa de muito: basta uma impressora 3D e conhecimento de como modelar seus protótipos. Se, por exemplo, você tiver um pet em casa que tenha sofrido um acidente, como uma tartaruga que tenha perdido o casco, você mesmo é capaz de lhe oferecer uma nova vida. Outras aplicações Você já viu fotógrafos profissionais que tiram fotos de animais selvagens? Seria uma tarefa muito mais difícil se eles não se misturassem ao ambiente. A maioria dos animais selvagens nunca tiveram contato com seres humanos, e, se sentissem ameaçados, poderiam se esconder ou atacar os fotógrafos. Mas e se não estivéssemos mais falando de um ser humano, e sim de um animal unicamente responsável por monitorar e fotografar aquele espaço? Essa foi a ideia por trás da Festo, responsável por uma rede de pesquisa exclusiva sobre a natureza. Através da chamada Bionic Learning Network, ela se dedica a criar animais biônicos que se assemelham a outros animais, e busca entender mais a fundo princípios da natureza para obter novos insights sobre tecnologia e aplicações industriais. Apesar de pioneira na aplicação dos estudos dos animais para fins industriais, a criação de animais biônicos não é novidade. Aqui você pode assistir 10 animais biônicos que já existem – o canguru e a libélula sendo da própria Festo. Uma ótima solução para o monitoramento de animais em risco, e uma nova definição para tecnologias que imitam a vida. Seriam pássaros biónicos o futuro dos drones?

A TENDÊNCIA DE DIGITALIZAÇÃO DE TUDO

Existem muitos ganhos ao conectar dispositivos à Internet: A vida se torna mais cômoda, confortável e adaptada ao nosso cotidiano. Até mesmo tarefas simples, como fazer o café de manhã ou regular a temperatura da casa, podem ser automatizadas, trazendo mais qualidade de vida para os usuários. Já tivemos a oportunidade de discutir camas conectadas à Internet e seus benefícios, e também dos aspectos de segurança que envolvem conectar mais e mais dispositivos à rede.  Dando um passo adiante, a perspectiva é de que tudo seja possível de ser digitalizado em algum momento do futuro. Pelo menos, essa é a visão dos filmes futuristas – alguns nem tão otimistas, como o filme WALL·E. Sendo assim, já podemos discutir a perspectiva de casas conectadas à Internet. OS BENEFÍCIOS DE UMA CASA INTELIGENTE Economia de tempo: a ideia de ter um tempinho extra é tentadora. Afinal, ao não se preocupar se você trancou a casa, anotou algo em sua lista de compras, ou garantiu uma temperatura agradável para a sua volta do trabalho de noite, o natural é que sobre um tempo para ser gasto com o que realmente importa para o usuário. Economias de energia: otimizar a performance de eletrodomésticos através do uso de dados é um ótimo exemplo. Se soubermos quando e quanto usamos um dispositivo, é possível desligá-lo quando não for necessário. Existem também casas que economizam a energia do calor do verão para utilizá-la no inverno, e também sistemas que dividem a energia produzida por um carro inteligente com a da casa, reforçando a economia. Redução da emissão de carbono: trocas eficientes podem ser feitas. Ao utilizar painéis de energia solar ao invés de empresas de distribuição de energia, trocar carros de combustão por carros elétricos e trocar fogões a gás por um de indução, é possível reduzir a nossa pegada de carbono, uma substituição por vez. AMBIENTES SEGUROS, CONFIÁVEIS E SUSTENTÁVEIS Estar preparado para imprevistos tornou-se prioridade para as empresas e para os usuários nos últimos meses. Afinal, não sabemos o dia de amanhã, e gostamos de estar preparados. É por isso que pagamos mais caro por seguros, por garantias e por serviços que tenham atendimento pós-compra. E é por isso também que estamos investindo em casas resilientes: Estamos preparando o espaço para o futuro. O cruzamento de dados de múltiplos sistemas é o futuro da Era de Dados, e nos permite um entendimento muito maior dos espaços em que vivemos. Partindo disso, a otimização é muito mais eficiente. Como disse William Thomson: “Aquilo que não se pode medir, não se pode melhorar”. O MESMO VALE PARA CIDADES INTELIGENTES Podemos cortar muitas das emissões de carbono das cidades ao compreender o fluxo de informações e pessoas, e também aumentar os níveis de segurança pública, entre outros benefícios. A Digitalização de Tudo pode ser uma revolução em muitos aspectos da nossa sociedade, com destaque especial para a nossa qualidade de vida e a vida que garantimos para o nosso futuro. Se pudéssemos ordenar, cidades resilientes, sustentáveis e seguras devem ser uma das maiores prioridades para o futuro, desde que sejam planejadas com a privacidade e a segurança dos dispositivos em mente.